Cheguei as 21h00, e fui fazer a janta e cheguei a conclusão de que deve ter um conluio entre a bomboniére e o restaurante, a comida não é boa, mas hoje eu achei particularmente sem gosto de nada, o pior de uma comida é não saber se está comendo isopor ou plástico, mas vamos ao que interessa, tecnologia.
Na palestra sobre software livre, ministrada por Alexandre Oliva, expoente da GNU.ORG ele deixou bem óbvia a diferença entre o LINUX (GPL) e GNU de pedigree, pois existem distribuições LINUX, como a Ubuntu que não são 100% Soft-Livre, mas existem outras dezenas de distros, como os entendidos nos assunto falam, que são 100% livres, foi demosntrada calaramente o que era uma e outra e quais as vantagens da liberdade que a GNU permite.
Alexandre apresentou vídeos e comparou a obra dos irmãos Wachowski - a trilogia Matrix - com a luta atual contra os softwares proprietários. Num vídeo interessantíssimo que levantou a platéia, diga-se de passagem editado usando um soft-livre criado pelo prórpio Alexandre, ficou clara a posição da GNU e de como so softs proprietários podem ser prejudiciais a criatividade e ao desenvolvimento de novas abordagens de TI.
Ao fim da palestra, ele passou novamente um vídeo da chamada Trusted Computing (Computação Confiável)- chamadas atualmente de Treathy Computing (Computação Traiçoeira) - na qual é demonstrado como as empresas de informática introduziram chips de controle de conteúdo num grande número de máquinas, de forma a controlar o acesso da informação, tornando-os "dedo-duros" dos usuários, colocando em questão a privacidade e o uso que as corporações podem fazer destes dados, em teoria, até os governos podem ser vigiados - tamanha a capilaridade dos sistemas de TI nas estruturas estatais - e tais informações podem ser usadas por quem quiser e tiver acesso a elas, em sumas as grandes elites econômicas transnacionais.
Na área ecológica a Campus Party continua discutindo soluções e buscando superar os problemas de aquecimento global, inclusive a própria Campus é um exemplo de gasto enorme de energia. Basta imaginar a quantidade de ar-condicionado necessária para resfriar o prédio da Bienal e unido a isso 3000 computadores ligados, mais a infra-estrutura necessária para mantê-los e temos uma vaga idéia de quanto está edição está longe de ser verde.
Na área de Modding - pessoas q resolvem turbinar máquinas e computadores - houve uma demosntração de overcloking, isto é, pegar uma máquina que roda a 1 Ghz e fazê-la ir muito além das especificações de fábrica. Claro que para isso, é necessário resfriar o processador usando meios especiais. Foi demonstrado usando-se gelo seco e depois de alguns ajustes, nitrogênio líquido para delírio dos presentes, que em meio a gritos, assovios e contagens regressivas vibrava com as velocidades atingidas e os testes realizados. Quase uma torcida vendo um gol de craque.
A Campus Party tem se mostrado um ambiente de troca de conhecimento, de criação de redes sociais vivas e interativas, nas quais as pessoas não só trocam experiências, mas as tornam parte de um processo que gera mais e mais conhecimento, nesse quesito ela já é um sucesso.
Quem já ouviu falar do Prof. Milton Santos, o homem que mudou a forma pela qual a geografia é vista no mundo atual, entende que o espaço compõe um ponto de construção do cidadão, a partir do qual ele constrói sua civilidade, cidadania e atuação política. Portanto quem controla o espaço, controlaria a cidadania e para efetivar esse controle é preciso ser o "dono" do conhecimento, pois conhecimento é poder.
Partindo deste ponto de vista, a palestra do BCCC - Base de Conhecimento Comum Cidadão se tornou uma das mais contundentes sobre a aplicação do conhecimento tecnológico a serviço da construção da cidadania e da elaboração do espaço público. Utilizando ferramentas baseadas nas licenças GPL/GNU como o TerraView - software de geoprocessamento unidas a bases públicas de dados, como do IBGE (que embora seja uma autarquia pública federal vende os dados por R$ 50,00), os cidadãos de Jd Pantanal, bairro localizado no extremo leste da cidade de São Paulo, que possui um índice de pobreza equivalente, senão pior, ao do continente africano. Se uniram numa ação cidadão q terminou por envolver o Ministério Publico paulista forçando o estado a sair da sua ausência e negação da miséria, atuando firmemente nas melhorias das condições locais.
A partir da possibilidade de mapear as diversas áreas, suas características, de expô-las e ter o aval de dados censitários atualizados, a população conseguiu provar o descaso das políticas públicas, forçando sua mudança e dando amparo para a população criar um sistema real de acompanhamento das soluções e da compreensão de como isso pode ser realizado com o software livre.
A economista e historiadora Luzia Soares abriu a palestra explicando o caso do Jd. Helena que está sendo auxiliado e mapeado através da iniciativa do BCCC, apoiando a subprefeitura de Itaim Bibi. No seu trabalho foi feito uma comapração das áreas consideradas problemáticas, usando o software, e nas áreas escolhidas pro grupos de moradores que são da comunidade e sabem dos problemas que eles enfrentam. E os resultados de ambos estudos forma idênticos, o software e o estudo de campo mostraram uma congruência de resultados, demonstrando que o uso do geoprocessamento é uma ferramenta essencial na melhorias das análises das políticas públicas, sai-se do achismo para a certeza dos levantamentos.
Outro ponto citado foi o envolvimento da Pastoral da Criança, que por meio de 2 representantes no grupo de estudo, mapeou as áreas inseguras e de maior risco para as crianças na comunidade. Essa ação provocou uma reação do MIn. Público que motivou ações emergenciais e de longo prazo para retirar essas crianças das áreas complicadas e dando-lhes a chance de mudar um destino perigoso, que poderia levar ao mundo do crime.
A Campus Party demonstra mais uma vez que as soluções estão ao alcance e que tecnologia não só para nerds/geeks, ela está a serviço das mais diversas localidades, como disse Mad Dog Hall, papa do soft livre: "Para o Local, com Renda Local e Impostos para o Local".
Vamos lá...
Nesta quinta na Campus Party, cheguei por volta das 21h15, fui jantar, a comida não é "o meu deus", mas se você tomar o suquinho laranja-antídoto nada de grave deve acontecer.
Inicialmente dei uma volta pelos stands ativos, havia uma palestra-apresentação na área e música em que foram passadas várias músicas e vídeos unindo de forma multimídia, a animação e músicas que chegaram até a algumas versões de canções de Roberto Carlos.
Na área de games, a discussão era o mercado de brasileiro e seus problemas. A mesa, composta por representantes de vários jogos on-line, como Cabal, Gunbound entre outros fazia as clássicas reclamações da pirataria, do mercado pequeno e da falta de conhecimento do público do que é ser um gamer e de como isso é longe do estereótipo "nerd-esquisito" que o cinema e a TV adoram mostrar. Porém o que faltou na discussão, é a visão mais básica do sistema capitalista: Se existe um mercado (é sabido que ele existe) ele está consumindo o que?
Foi levantado pela platéia que se as pessoas tem preconceitos em relação a jogo - fato absolutamente questionável, pois jamais em décadas isso foi quantificado no Brasil - esse preconceito pelo visto deve ser fraco, pois ele não impede que tantas pessoas lotassem Lan-houses, fliperamas (nos anos 80/90) e tenham lembranças de jogos feitos para Atari entre outros.
Para os pariticipantes da mesa esse era o foco, contudo, vários presentes na platéia reclamaram que em relação a pirataria não se pode esquecer que um jogo oficial custa na média R$ 100,00 e é caro para os padrões nacionais de consumo brasileiro. Fato rechaçado pelos participantes da mesa, que alegaram pesquisas (sem citar fontes ou números) que provam que esse valor o consumidor paga sem sentir "dor-no-bolso - claro quem quem não compra, porque dói, então pirateia - para cada jogo vendido no Brasil, são vendidos 30 piratas, muita gente deve estar tendo enxaqueca-de-bolso.
Se os games querem se tornar um produto de massas, o básico é um preço compatível com tal ambição, não entender isso é ter uma grande miopia, pois na verdade o mercado de games é grande sim. Podemos observar empiricamente, andando nas ruas das periferias que existe o desejo de jogar entre as crianças, mas a barreira econômica se interpõem, alijando estes possíveis consumidores do jogo eletrônico.
Ao fim do evento, os participantes chegaram a conclusão de montar uma agência/ associação, porém as soluções e reclamações ficaram somente do espaço comum dos discursos antiquados e prontos, sem novos pontos de vista (que foram rechaçados ardorosamente pela mesa, quando pontos de vista opostos eram abordados pela platéia). A todo instante insistia-se em uma visão que já se mostrou falha mundialmente, idéias requentadas e de uso duvidoso, frases de efeito (boas nas reuniões motivacionais...). Pode ser que seja uma escolha das publishers, afinal talvez eles queiram ter do que reclamar numa próxima ocasião.
Na área de robótica acontecia uma oficina de montagens, na qual dezenas de pessoas montavam placas de circuito impresso, ligavam conectores, analisavam os trabalhos uns dos outros, enquanto nas mesas em frente centenas de projetos, robôs e pessoas programavam, consertavam e alimentavam as CPUs com bits e bytes criando um pequeno exército de autômatos.
Em astronomia uma palestra sobre a forma e a nucleossíntese estelar mostrava imagens estonteantes de galáxias e atiçava no público a curiosidade básica de onde viemos, pois a para onde vamos a Party deixa aberta a cada um decidir...
Por fim uma palestra sobre o impacto global da atividade humana e o aquecimento declaravam as inevitáveis catástrofes que vamos enfrentar como resultado da degradação ambiental produzida pela atividade industrial e pelas intensas emissões de CO2 nas atividades contemporâneas.
Desculpe a ausência nestes 2 dias, mas por virtudes de força maior, não só não bloguei, como também não consegui participar das atividades da Campus Party nestes dias, mas vamos lá ainda temos 3 dias de Party.
Abs
Alex Alprim
Meia Noite, todos os monitores desligados, luzes baixas, todos se aglomeram na frente do palco principal, ouvesse um burburinho, autoridades olhando com sorrisos nervosos a população tecnológica que os cerca. Todo evento de grande porte, mesmo de algo tão livre e avançado como tecnologia e novas fronteiras, tem a presença tradicional de autoridades e personalidades marcantes. A Campus Party não foge a regra, com a presença do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do gestor da Rede Nacional de Pesquisa (orgão gestor da internet) e de personalidades como o CEO da Telefonica no Brasil (principal patrocinador do evento). Todos que falaram frisaram a necessidade de mais eventos como a Campus Party e seu papel sui-generis como aglutinadora de talentos de TI.
Mas a surpresa da noite foi a presença inesperada do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, que em seu discurso de abertura ressaltou a necessidade da expansão da civilidade digital, criando até um novo termo - banda-largar - no sentido de levar a banda-larga aos diversos rincões do país, reforçando seu argumento com dados de cidades espalhadas pelo Brasil que se tornaram cidades digitais, isto é, estão num plano do Governo Federal que tem como objetivo eliminar a exclusão digital.
Gil em seguida fez uma performance memorável no palco principal da Campus Party. Acompanhando o show de música eletrônica (a verdadeira trilha sonora desta party, tocando em todos os instantes) "cantou" sons, que com uma voz estonteante lembravam gritos de aves amazônicas e do sertão - para mim lembrou macucos e colhereiros, uma ave do Pantanal -; mas o "canto" do ministro estava em perfeita harmonia com o som tocado, criando uma síntese diferente e que empolgou os presentes.
Depois foram feitas as homenagens de sempre, com entregas de comendas das mãos dos organizadores e do prefeito Gilberto Kassab (quando se ouviam alguns gritos e vaias de "Fora Kassab", mas sem efeito aglutinador). Feitas as mesuras esperadas, a fala dos participantes e organizadores endossou o espírito da Campus, sempre com enfoque na necessidade de interatividade, na expansão do uso do software livre, no desenvolvimento educacional que a Internet permite e a criação de comunidades virtuais que ultrapassem fronteiras e criem uma geração que finalmente possa abolir as diferenças entre as várias partes do mundo (doce utopia.. mas esperança de vez em quando faz bem), todos os falantes deram como certa que está party é o princípio de algo ase expandir em terras brasileiras, a colaboração tecnológica.
Depois, como toda festa brasileira, samba! Isso mesmo, a Nenê da Vila Matilde, com bateria e passista deu o toque da noite. Substituindo a música eletrônica e fazendo o 1º andar da Bienal se tornar um sambódromo em que nerds, repórteres e convidados sambaram, os participantes demonstraram que existe batuque no pé ente os nerds brazucas - parece estereótipo, mas vi muita gente sambando, mais do que seria esperado numa party de viciados em computador. Uma voz robótica deu a marcação regressiva e após o ZERO teve início a maior festa tecnológica brasileira.
Após a declaração oficial do início dos trabalho, o ministro se retirou e na saída, deu alguns depoimentos como resposta a perguntas feitas sobre a proibição do jogo Counter Strike, que continua proibido de venda no Brasil - ironia, na verdade o jogo é gratuito na rede. Segundo as palavras do ministro, a justiça se acha no direito de proibir e ele, com seu jeito de circular de responder, incitou a juventude a lutar contra e provar que o jogo é inofensivo. Afirmou que é necessário haver uma mobilização da juventude e de todos que estão na Campus para derrubar essa determinação, pois seria um atentado contra a liberdade, que é justamente base na qual se desenvolve a cultura da tecnologia contemporânea.
Depois de passear pela Campus Party, percebi que a mídia de maneira geral está buscando o estereótipo básico do Nerd de filme americano. Jovem 20 e poucos anos, cabelo desalinhado, cara de sujeito que não quer nada com nada, ou ainda do tipo que seria abusado pelos valentões da escola. Nada mais longe da realidade. Campus Party é uma união de cores tribos e bytes. Desde de o "nerd" clássico que usa mil canetas no bolso, até aquele descolado que você jamais diria que é um fissurado em tecnologia.
O desejo de todos é ver no que isso via dar, conhecer pessoas, trocar idéias e conceitos, abrir fronteiras e explorar até onde a tecnologia atual pode nos levar.
Alex Alprim
Olá Leitores,
Estou aqui na Campus Party, um dos maiores eventos mundiais na área de
tecnologia e informação. 3000 Nerds, um QI somado que bate o BlueGene, o
supercomputador que derrotou Kasparov. Por alguns chamada de "nerdstock", tem
como diferencial da famosa versão musical o alto nível de segurança, a completa
proibição de bebidas e drogas e um grupo de pessoas muito mais interessada na
última palavra em placa de vídeo aceleradora e em licenças GPL do que em encher
a cara e cair na gandaia.
Um evento de 3000 pessoas extremamente
organizado, todo mundo em fila, teclando em notebooks que são o sonho de consumo
de muitos, smartphones plugados, máquinas com poder de processamento de fazer
inveja a muitos centros de TI no Brasil, amigos de MSN se conhecendo, flashes de
máquinas digitais levando tudo para o Picasa ou Flicker (sites de Web2.0 de
compartilhamento de fotos), tudo já faz você imergir no mundo da tecnologia e
sentir num mundo recheado de bits e muita cultura tecnológica.
Estas
são as primeiras impressões depois eu escrevo mais sobre tudo q está passando
por aqui...
Alex Alprim

Chamar de paralelo realmente é uma posição consistente com a idéia de jornalismo apresentada em ambos os casos, primeiramente vamos ao significado de paralelo: “Duas retas são paralelas se estão em um mesmo plano e não possuem qualquer ponto em comum”.
O jornalismo colocado na obra cinematográfica é de uma ordem diferenciada das entrevistas utilizadas na mídia que “entretêm”, pois na primeira temos a informação aliada da compreensão, já na segunda a informação é aliada do esquecimento do mundano, a entrevista é ferramenta para alijar as questões que fariam a plebe pensar, levando-a a se divertirem. Curiosamente, ambas são apresentadas num mesmo plano iconográfico: “a tela” – a mesma idéia premente do “paralelo”.
Na obra dirigida e estrelada por George Cloney, temos um jornalismo de pesquisa, no qual se joga com fatos, pois mesmo quando o assunto apresentado em “Boa Noite, Boa Sorte” segue a linha “entrevista de celebridades”, há o apuro da matéria, uma requisição de fontes; a futilidade é restrita ao tema, não migra para o “fazer jornalismo”.
Em paralelo, portanto, sem cruzar as fronteiras que o separam temos os entrevistadores de “diversão”, crivando de respostas, de inconsistências – o telespectador; pois mesmo que o tema seja relevante, a produção, as pautas e a edição, se mostram falhas. Existe uma confusão entre as afirmações e os fatos, o apuro é deixado de lado em nome do impacto que a situação produz ou não no IBOPE, a audiência é mais importante do que apurar se algo é real ou inventado. Como disse anteriormente, ambos os “jornalismos” são paralelos – sem pontos em comum –, ainda bem.
Mas um momento, pausa, reavaliando, temos um outro ponto de vista, as entrevistas no entretenimento se revestem da idéia jornalística – a entrevista é uma ferramenta do jornalismo sério – para se imiscuir de seriedade, como que para, angariar credibilidade, afinal, geralmente a apresentadora – não jornalista – caminha numa direção segura de sua credibilidade comercial, embora na tentativa de angariar uma posição maior que um “bom produto”, se aventure na jornalidade e perante um ídolos, atores, cantores, modelos, tenta fazer o papel de (des?)informar o público, portanto, pressupõem – o “produto comercial bem acabado”, chamado correntemente de apresentador – cumprir o papel de jornalista.
O entretenimento tentando sair do gueto da informalidade, da nódoa da desinformação televisiva tenta atrair a formalidade da entrevista para seus domínios, enquanto no filme, temos o jornalismo sério sendo banido diversas vezes pelo entretenimento, sendo lançado em horários que não atrapalhassem o não-pensar, reinando o simples divertir. Cinicamente vemos hoje o entretenimento tentar apropriar-se desse mesmo jornalismo banido, realmente estamos falando de mundos literalmente paralelos.

Eu leio várias revistas mensalmente, de várias linhas desde as científicas, passando pelas de atualidades, moda, economia, política, saúde, futilidades, entre outras. Leio mesmo, nada de passar os olhos, às vezes dependendo do veículo fico semanas até esmiuçar o texto compreender os conceitos, claro, existem àquelas que depois de 15 minutos você já leu todo o texto e viu as figurinhas (existem revistas projetadas para serem descartáveis mesmo – todo jornalista conhece ao menos 2/3 títulos desses).
Chegando na banca, você encontra os espaços de venda abarrotados – literalmente temos dezenas de publicações umas em cima das outras –, cheios de tudo que se imagine, desde de revistas especializadas em relógios de pulso, as mais genéricas (como Veja e outras). E cada espaço da banca-de-jornal está tomado por algo escrito, seja lá o que for. O número de editoras e de produtos não pára de aumentar dia-a-dia.
Analisando grandes empresas, líderes em vários setores das economias globalizadas, podemos perceber que elas estimulam a “meritocracia”, isso é, cumpriu metas e objetivos – em miúdos mereceu – cresce, tanto na empresa, quanto em termos salariais. Também é prática comum uma linha de conduta no RH, a “educação continuada”, o que significa que o trabalhador, depois de entrar na empresa, desde o chão-de-fábrica, ao diretor, é estimulada a crescer e aprender sempre, seja por meio de bolsas ou de estímulos com horários flexíveis e perspectivas de promoção.
Também é comum, nas líderes e nas melhores empresas que estas políticas estejam aliadas à idéia de que quem não muda morre (crise no mercado editorial, a velha história), portanto, são elaboradas políticas que atinjam as 3 formas de inovação – Básica (pequenas alterações nos produtos originais. Ex: Lâminas de barbear comuns) /Relativa (novas fórmulas de evolução, mas ainda baseadas no que já existe. Ex: As versões de um carro) /Conceitual (algo radical e por vezes indo contra todos os paradigmas do que é conhecido no mercado. Ex: IPod e o modelo de negócios do ITunes).
Para isso as empresas também procuram estimular o empreendorismo dos seus colaboradores, dão-lhes a opção de ter ações das empresas que trabalham. Devido a estas políticas, deixam a disposição do público seus números (principalmente depois dos acidentes contábeis da Enron e da MCI, isso virou regra no meio corporativo), pois os empregados agora são sócios e querem conferir os resultados, isso também os estimula a superarem as metas anuais e em caso de dificuldades a aceitarem o que está por vir.
Analisando friamente, vemos alguma destas práticas em qualquer empresa da mídia atual, creio que não, e esse é o motivo da crise editorial, uma crise não nasce do mercado para a empresa, antes, ela nasce da empresa em direção ao mercado até porque, a crise é das empresas e não do mercado – aliás o mercado vai bem e obrigado – são as editoras que não vendem, não o mercado que não compra. Mas admitir isso seria romper com algo que é muito difícil, admitir que não existe uma escola de administração voltada para as empresas de mídia.
No jornalismo, sempre se está trabalhando no limite do possível, com quantidades de estresse que a equiparam as equipe de 1ª linha, das que não podem se dar ao luxo de falhar, como na F1. Porém a motivação das equipes de jornalismo se baseia no terrorismo dos chefes, no egoísmo individual de ter a “única” notícia, e nas conseqüências mais graves do estresse profissional, temos o afastamento da vida familiar e social a ponto de, muitos trabalhadores da notícia (conforme Perseu Abramo chama os jornalistas), não terem mais vida além das redações.
Precisamos quebrar os paradigmas da mídia, da sua administração, elaborar formas de inovar e superar as graves questões que estão pesando nas redações e impedindo o mercado brasileiro de decolar. Como sempre digo, ninguém me convence que o mercado editorial atual tem o mesmo tamanho proporcional da década de 50, não quando a população economicamente ativa tem hoje mais poder aquisitivo do que o PIB da América Latina inteira da década de 50 do século 20.
Porém como superar estes paradigmas é tema para o próximo post.
Os jornalistas compõe um grupo heterogêneo, buscando viver num mundo consistemente modificado pela natureza tecnológica, aliás, o surgimento das visões do jornalismo democrático está ligado ao deslocamento da inovações no sentido de disseminar os fatos pela mídia de massa.
Mas para entender o papel da inovação no jornalismo e do seu papel na mídia (como meio de transmissão) e da notícia (como um espalhamento dos fatos pelo maior número de pessoas) vamos pelo caminho pragmático, e serão vários posts. Portanto, vamos por partes. E não vou entrar na discussão da objetividade ou não do jornalismo, vou focar na questão da inovação-mídia como linha condutora do sistema fato-jornalismo-notícia-recebedor, mas primeiro vamos analisar a relação do jornalista com o meio-mercado.
O jornalismo vive num meio conservador, inovações não só são lentas como geralmente evitadas, evita-se até pensar nas inovações – só mudando quando se torna irresponsável não fazê-lo –, pois significaria pensar em mercado, algo que de bom grado os jornalistas deixam para o pessoal de marketing, com os quais raramente concordam, a não ser quando o emprego de uns depende do bom resultado dos outros.
Desde de que nasceu uma primitiva idéia de jornalismo ela esteve em sua base conectada a idéia de um mercado ávido por consumir informação. Porém, nos anos 70/80 criou-se uma política complexa nas redações, na qual os bem sucedidos jornais eram vistos como “algo errado”, pertencer aos grandes veículos era visto com um misto de glória e de desprezo, pois embora, atingi-se um certo grau de status, o “pobre” jornalista – por vezes pobre de fato antes de adentrar na mídia de massa – havia se vendido ao “mercado”, portanto perdido sua chance de falar a “verdade”.
Dessa maneira vimos nas redações, em resposta a essas visões, crescer um forte preconceito e, pior ainda, estabeleceu-se uma série de políticas que tornavam a vida nas redações cada vez mais estressante, uma espécie de penitência por se pertencer aos “jornaizões”. Justificava-se, afinal com o tempo àqueles que não pertenciam as grandes mídias estavam expondo as suas opiniões nas faculdades e palestras, criando e aumentando a idéia de que o mercado era ruim por sua própria natureza e que a multidão ignorava o que se passava no mundo em virtude disso – e tais ouvintes cedo ou tarde chegariam às redações e seriam os temidos “chefes”.
Na contra-mão seguia-se a exposição das idéias daqueles que tinham sido “vendidos”, também nos meios acadêmicos, gerando uma dicotomia, ou se pertencia aos “caras legais”, ou aos “vendidos”, dessa forma, no meio dessa discussão, fomos surpreendidos pela famosa crise no mercado editorial mundial.
Uma crise que todo mundo adora culpar a Internet, a TV, a mesmice dos jornais e claro, o governo e sua política econômica – e como já se está totalmente vacinado contra a visão mercadológica, deixa-se de lado o foco de toda e qualquer boa empresa contemporânea, O Cliente, O Mercado! Os que estavam no centro das mudanças, deixaram passar a chance de perguntar se a crise não era motivada pelo simples fato de que ninguém estava dando ao mercado o que ele queria, se as inovações tecnológicas tinham sido absorvidas corretamente pelo jornalismo e se os jornalistas estavam sendo estimulados, como nas grandes empresas a criar novas soluções para atrair novos leitores, em miúdos, seguir na direção do pecaminoso mercado.
Como conseqüência o mercado total de revistas e publicações, somadas resultam num mercado proporcionalmente inferior ao que era o mercado editorial da década de 50 e a crise se agrava ano a ano, segundo várias consultorias, o mercado brasileiro perdeu cerca de 20% de sua base no último ano e não existem projeções razoáveis de recuperação no próximo ano.
Colocando de forma clara, estamos a caminho de uma mudança, não vejo o fim do jornalismo, mas sim do jornalismo como o conhecemos, na forma pela qual hoje está estruturado ele deixará de existir, na verdade até mesmo a figura do jornalista será alterada, mas esse é um tema para um próximo post.
Obs>: Na dúvida, leia: We, the Media – de Dan Gillmor
No mundo contemporâneo o jornalismo toma vários rumos, criam-se frentes diferenciadas de atuação da profissão, que abrangem desde as assessorias de imprensa dedicadas a divulgar o interesse de grupos econômicos, tanto nacionais quanto internacionais. Como também nasce uma nova forma de pensar na notícia e da sua produção na sociedade democráticas, com a popularização tecnológica dos meios de disseminação dos fatos e das opiniões.
Não existe uma única vertente da realização da notícia e da sua veiculação que não esteja sofrendo de uma transformação profunda na relação tanto da gênese do fato jornalístico quanto da sua abrangência no universo de leitores.
O jornalismo se fixou na segunda metade do século 20 como um vigilante das instituições democráticas, criticando, denunciando e destruindo paradigmas políticos e sociais. Contudo, como reflexo do terrorismo e da violência dos grandes centros urbanos no século 21, vimos uma imprensa que busca superar seus próprios paradoxos e que caminha por uma trilha que limita tanto as opiniões e quanto os questionamentos que pode produzir.
Pois para sobreviver economicamente se vê refém de pesquisas e modismos da cultura de massa, criando por vezes, uma manipulação viciosa, circunavegando temas que não produzem atritos com a elite econômica ou com as estruturas estabelecidas de poder na sociedade contemporânea.
Uma análise histórica do jornalismo nos leva a conclusão óbvia de que a inovação se faz necessária. O modelo jornalístico presente na sociedade atual e nos meios de comunicação está perdendo seu sentido de ser, é falido em seus propósitos de informar, questionar e criar novas perspectivas sociais.
O jornalismo atual está sendo superado pelos avanços tecnológico e pela massificação econômica natural do capitalismo. Nesse sentido é preciso adotar uma postura que rompa o conservadorismo. Ousadia e inovação são a única forma de quebrar a inércia que os editores, redatores, pauteiros e repórteres se encontram na atualidade.
É hora de repensar à força do design, a reestruturação da página impressa, a convergência tecnológica gerada pela Internet, a produção independente de conteúdo, o repasse de notícias pelas “pessoas comuns”, o acesso aos meios digitais e a reformulação das políticas de fomento financeiro das empresas jornalísticas, tendo em vista todos os pontos acima.
E como empresas, deverão sair do beco sem saída da especialização extrema do mercado de publicações e baixa taxa de leitores nos países em desenvolvimento que impedem a criação de uma nova massa crítica de não só de leitores passivos, mas de leitores ativos e questionadores da realidade contemporânea e dos problemas inerentes ao século 21, herdados em grande parte dos milênios anteriores. Esse é o papel e a força do jornalismo para a sociedade atual.

“Uma imagem vale mais que mil palavras”
Provérbio chinês
“Se a imagem certa estiver na 1ª Página, do jornal, pode vale milhares de dólares”
Anônimo
Imagem + Palavra + Idéia + Informação = Manipulação
Quando utilizamos uma imagem ou uma fotografia em uma matéria, ela possui características que ultrapassam o mero suporte ao texto. Seguidas vezes ela é mais importante que o próprio texto, na captura da atenção do leitor, pois a mensagem textual necessita de leitura e, portanto de um mínimo de reflexão, enquanto a imagem é auto-explicativa (mesmo que desconectada da idéia da matéria), garantindo ao leitor, o rápido entendimento do assunto em pauta.
A mente humana e sua estrutura psicológica e psicanalítica foram selecionadas por milhares de anos de evolução, de forma que o “ser” responda rapidamente as alterações ambientais. Daí vem o que chamamos de instinto. Por isso quando usamos uma imagem, além do significado “clássico”, o cérebro interpreta uma segunda idéia, embutida na original. Essa idéia é subliminar, isso é, está abaixo do limiar natural de percepção consciente da mente humana.
A teoria das mensagens subliminares tem seu nascimento marcado por controvérsias, verdades e mentiras em grande profusão. Muitos marcam o surgimento desses trabalhos da famosa experiência em um cinema em Nova Jersey em 1956, no qual durante a apresentação de um filme, o exibidor manipulou os fotogramas (um filme é composto por várias fotografias que unidas dão a ilusão de movimento – um filme tem em média 24 imagens por segundo) e colocaram mensagens escritas em um espaço de tempo menor que 1/3.000 de segundo.
A preocupação quanto a essa manipulação chegou a um ponto que se criou uma estrutura jurídica para impedir esse tipo de prática, contudo, várias TVs e exibidores utilizam brechas na lei para continuar a fazer uso desse recurso – nas propagandas da Coca-Cola e de outros produtos as imagens em estilo de videoclipe – MTV – não chegam a ser subliminares pelo tempo (maior que 1/3.000 s), mas sua profusão e quantidade a fazem chegar próximo desse limite, ainda mais quando são usadas imagens ligadas ao sistema límbico (a porção mais primitiva do cérebro dos vertebrados), como as de natureza libidinosa e de incitação a violência.

Ao analisar a questão do editorial, percebi o quanto às relações da imprensa são mediadas por um discurso que afasta o jornalismo da sua função de análise e divulgação, para torná-lo um quarto poder, de natureza refletiva – não reflexiva –, que transpõem opiniões externas para ocultar e criptografar nos textos as mensagens que as forças macro-econômicas colocam em ação nas suas páginas.
O editorial, que é lido por um pequeno grupo de leitores, na verdade é construído por um grupo menor ainda e direcionado para ser efetivo em grupos restrito, que se concentram nos órgãos governamentais e nas suas instâncias, sejam elas democráticas ou não.
Pois para a imprensa, não importa o regime, ela gera o diálogo do poder para com o poder, seja para enfatizar, reforçar ou fragilizar a manifestação das políticas de governo, sejam de regimes fechados ou abertos. Para o editorial, pouco importa quem esteja na linha de tiro, pois é direcionado à elite, que lê sobre si mesma e acredita estar correta, pois não existe crítica e quando ela surge são entre os grupos que a compõe – numa luta intestina de poder –, não existindo uma crítica de efeito real, da base para o topo.
Numa empresa jornalística, os anunciantes, as forças econômicas da indústria, os interesses corporativistas, sejam sindicais ou patronais, controlam a maneira pela qual o editorial e, de forma ampla – o jornalismo opinativo; se afasta do papel de esclarecedores do povo, das grandes questões do mundo e da vida diária.
Existe, no jornal impresso uma linguagem, uma estruturação para o editorial que é mais incisiva e profunda na sua expressão, que não é encontrado no rádio ou na TV, que atuam editorialmente de forma menos incisiva, na verdade uma cópia do editorial escrito. Não existe uma linguagem televisiva ou radiofônica própria para o editorial, pela própria natureza dos veículos, afinal (o rádio e a TV) são concessões do governo, dessa forma o governo assume papel semelhante aos anunciantes e acionistas do jornal impresso, de certa forma, dando aval e direcionado o curso da linha editorial, fazendo com que esses meios, meçam suas palavras, da mesma maneira, pois a mídia televisiva e do rádio são mais abrangentes e atingem um número maior de pessoas, do que a mídia impressa.

Ao longo dos estudos históricos sobre a estrutura do jornalismo e sua relação com os sistemas econômicos, vemos uma conexão entre as formas de expressão jornalística e de construção histórica do pensamento e os meios de comunicação.
Nos regimes ditos de força, sejam de esquerda ou de direita, o jornalismo é uma ferramenta de influência estatal, embora com alguns pontos de resistência, a ação contra tais regimes se mostra vítima constante da repressão e da ação policialesca da máquina política estatal, assim devido à censura a mídia de massa é sujeita as regras impostas pelo regime.
Nos regimes ditos de esquerda a iniciativa privada é eliminada e toda ação individual é minimizada, ficando o indivíduo sujeito as estruturas da máquina partidário-revolucionária. A liberdade de imprensa e a força dos fatos noticiosos passam pelo filtro da postura ideológica e dos interesses do poder estatal. Se pensarmos preliminarmente, podemos imaginar que a solução para tais engessamentos seria a democracia com características econômicas capitalistas.
Mas nos vemos frente a uma dinâmica complexa e de resultados incertos, afinal o que move as sociedades capitalistas é a entidade sinistra e indefinida do “mercado”, a qual supostamente levaria a melhoria de todo o sistema capitalista, até mesmo na imprensa com a busca por vender um produto que fosse aliado da “verdade”.
Contudo, no regime capitalista entra em ação uma entidade concreta e bem definida (diferente do mercado), a força dos interesses econômicos. Quando temos a estrutura da mídia submersa na dinâmica capitalista, ela se submete àqueles que a sustentam, que via de regra não são os leitores, mas sim os anunciantes. Nesse sentido os veículos de comunicação e por conseqüência os jornalistas se tornam parte de uma incestuosa relação de interesses comerciais e mercadológicos.
Esse equilíbrio é apenas ameaçado e até rompido quando a relação custo-benefício (uma relação de natureza essencialmente econômico-capitalista), da presença do anunciante e da ação jornalística referente a ele se torna prejudicial ao veículo.
Os veículos de imprensa vivem no campo capitalista, um paradigma. Associam-se comercialmente e participam da dinâmica de interesses do capital, mas não podem deixar de serem atraentes para seu público leitor, que em tese exige idoneidade e isenção, numa questão que já foi chamada de “mandato da verdade”, por alguns estudiosos.
Portanto a relação econômica só vai até certos limites que variam conforme o veículo, o tipo de matéria e a natureza econômica característica de cada estágio capitalista em cada país e região do globo. O que é aceitável para determinados grupos de leitores, não é para outros e vive-versa. Da mesma forma o peso capitalista das relações se altera.
O ponto em comum em todas essas relações é o dinamismo e a busca por algum tipo de isenção mesmo que utópica e a desvinculação (em alguns casos apenas aparente) de interesses partidários e ideológicos, pois no capitalismo, pela sua própria natureza, existe uma liberdade mercadológica para vários tipos de produto jornalístico, permitindo que posturas opostas convivam no espaço dedicado ao leitor, dando de certa forma, liberdade de compreensão e escolha no espaço dedicado a notícia no âmbito público.
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